1o ciclo - 1996 a 2002
Na minha forma de ver o futmesa em Americana, divido nossa trajetória em 4 ciclos: 1o - de 1996 a 2002 2o - de 2003 a 2005 3o - de 2006 a 2008 4o - iniciado em 2009 O mais marcante em nossa memória, nossas histórias e conquistas, é, ainda, sem dúvida, o primeiro ciclo entre os anos de 1996 a 2002. Na verdade, existe uma pré-história, iniciada em 1993, quando eu e o Fernando jogávamos toda semana na casa de nossa mãe, onde disputávamos acirradamente o Troféu Therezinha e viajávamos algumas vezes no ano para a disputa dos abertos da federação, como avulsos. E em 1995 e 1996, o Fernando obteve bons resultados chegando a ser vice na prata e na bronze de dois abertos, o que repercutiu na imprensa esportiva local e originou um inesperado convite do então presidente do Rio Branco E.C., sr. Minão Vitta, para apresentarmos o esporte à diretoria do clube. Lembro-me da reunião, com vários dirigentes (o que não imaginava tudo isso quando do convite), onde fiz uma pequena demonstração do jogo, apresentei um time do Rio Branco muito bonito e conquistamos ali a honra de implantarmos o depto de futebol de mesa no clube. O Rio Branco nos deu total apoio, adquiriu 3 mesas com cavaletes, 6 times, traves e abriu duas datas na semana e uma sala excelente para praticarmos o futmesa. E nessa sala da Fernando Camargo, na sede social, ficamos até 2005. A escolinha com os associados do Rio Branco nunca recebeu o apelo e o retorno que esperávamos, porém era sempre frequentada por várias crianças e até hoje, uma delas, o Marcelinho Cabral - já com seus 18 anos, joga com a gente, ele que é uma das verdadeiras pratas da casa. O forte mesmo nesse período de 1996 a 2002 foi a novidade que o futebol de mesa representou para a cidade, trazendo antigos praticantes e apaixonados pelo jogo de botão para o nosso convívio. Inúmeros adultos que jogavam o futebol de mesa da fase romântica pré-regra paulista, pré-federação, do tempo do leva-leva, das faculdades paulistanas, logo se interessaram em voltar a praticar o futmesa que o Rio Branco passou a oferecer tanto a sócios quanto a não sócios. Assim, além do Jota - José Tadeu, um dos fundadores da equipe juntamente comigo e o Fernandinho, vieram Pinhel, José Luiz, Ariel e André Capozzi e Vicente Cassano, este da escola carioca, tendo jogado muito botão no América e no Fluminense. Algum tempo depois, outro carioca veio fortalecer o grupo, Sérgio Paluma, que inclusive chegou a abrir uma escolinha da regra baiana, de 1 toque. Trabalho este que prosperou relativamente bem, tivemos uma mesa no clube, times e treinos com garotos e até um torneio aberto da regra chegou a ser realizado paralelamente a um aberto de 12 toques. Infelizmente, com seu retorno ao Rio, por motivos de trabalho, sem seu grande incentivador, a regra baiana na região e no Estado, acabou ficando para trás. A repercussão do futmesa no Rio Branco chegou a toda região, atraindo praticantes que não encontravam clubes nem em Campinas, Jundiaí ou Limeira. Assim, até 2001 recebíamos em nosso convívio Moisés Salvatti, que além de excelente jogador e valorosa pessoa, ainda trouxe o nosso primeiro patrocinador da equipe, a empresa de terraplanagem L.C. Sponchiado, que com seu patrocínio mensal pudemos arcar com todas as despesas da equipe de 1998 a 2001, incluindo transporte da equipe, uniformes e taxas federativas. Também vieram Fernando Urbano e seu irmão Flávio, este menos atuante; Marco Botelho, Marcelo Rini, Felipe Tubino, Ismael Silva e no final de 2001 Cristiano Paffrath, campeoníssimo e o melhor jogador do Rio Branco nos 12 toques até hoje. De Limeira, tínhamos Pivetta, Celso e Celinho Silva. A equipe era dirigida por 3 pessoas: Gilberto (administrativo), Tadeu (área técnica) e Ariel Capozzi (capitão). Tínhamos a colaboração direta do Fernando e do seu Vicente. Discutíamos sobre o botão quase que diariamente e estávamos muito focados em evoluir a equipe tecnicamente. E o Ariel fazia um trabalho de motivação muito positivo, a equipe atuava com vibração e sempre bucando uma evolução. Em 1998, a primeira partida em Bragança Paulista, contra o Clube Literário Bragança, pelo que me lembro, jogavam Gilberto, Fernando, Tadeu, Moises, Urbano e Vinícius, além de Ariel e Vicente Cassano. Na segunda partida, a primeira em Americana, perdíamos para o Clube 2004 por 66 a 6 (naquele tempo a vitória valia 2 pontos) e queríamos entender como podia existir uma equipe tão forte quanto o Clube 2004. Somente em 1999 surgia a primeira vitória: 39 x 33 contra o Nacional, em casa. Em 2000 terminávamos na 4a colocação, com algumas vitórias no campeonato, inclusive uma vitória importante contra a Hebraica na última rodada e em 2001, naquele que foi o melhor ano do Rio Branco até agora, num campeonato em que subiam 2 equipes para 7 participantes, sendo que 4 deles eram tidos como favoritos (XV de Agosto, Santos, Corinthians e Rio Pardense - nessa ordem) e outros 3 seriam coadjuvantes (Rio Branco, Jacareí, Taubaté), o Rio Branco começava o ano empatando com o Santos F.C., na Vila, logo na primeira rodada. O Santos havia formado um esquadrão para subir e juntamente com Socorro eram os grandes favoritos para as vagas do acesso. Aquele empate nos trouxe muita motivação e a vitória só não veio porque o André Capozzi, que vencia por 4 x 0 ao final do 1o tempo na 6a rodada, cedeu um incrível empate para o Gílson em 4 x 4, na campainha, e ali o Santos empatava com o Rio Branco. E a equipe obteve vitórias contra Jacareí, Taubaté (hoje na liga Litovale), jogou duro contra Socorro e Corinthians e chegávamos na última rodada da fase de classificação precisando de 1 ponto para nos classificarmos para as semi-finais do campeonato, onde enfrentamos a fortíssima equipe da Rio Pardense, composta de botonistas muito experientes e talentosos, de história no futmesa como Capelli e companhia. Quem vencesse essa partida estaria classificado. Lembro que fiquei de técnico nesse jogo porque o Ariel não quis nem comparecer na sala de jogos temendo a reação de suas emoções e de seu coração. E a equipe jogou sensacionalmente, com Tadeu, Fernando, Ismael, Celso Silva, Sergio Paluma e Vinicius Bola. Seu Vicente Cassano entrou no decorrer da partida e fez seus pontos, com seus surpreendentes e certeiros tiros do meio de campo e eu e Fernando Urbano ficamos com as pranchetas e anotações. Na última rodada, tudo empatado e até o último minuto, perdíamos a partida, até que o Sergio Paluma, que vinha de um 1 x 4 encontrou um empate sensacional na campainha e Moisés Salvatti também fazia o gol da vitória na campainha e vencíamos o jogo por um inesquecível 51 x 48. Quando viajamos para Socorro, para a partida única, na casa do adversário, invicto e 1o colocado, nós, na condição de azarão e quarto colocado, estávamos tranquilos, já com a sensação de dever cumprido, afinal a equipe evoluia mais um ano. Nesse jogo, Cristiano Paffrath estreiava no Rio Branco e logo no sorteio da primeira rodada, quando passei o número 64 de registro na FPFM do Cris, o Anacleto, dirigente do XV, arregalou os olhos e apenas repetiu: 64, hummm, 64. Sabemos que quanto menor o número de registro, mais antigo é o botonista e geralmente mais técnico, forjado em uma geração que iniciou o movimento de 12 toques em São Paulo. E naquela partida decisiva, Quinho - atualmente campeão do mundo e jogando pelo Palmeiras - em viagem de formatura, se ausentava. Na primeira rodada um inesperado 16 a 1 para nós. O Xv foi descontando rodada a rodada, até empatar na 4a rodada. Na 5a rodada, vencíamos por 12 a 6 e na 6a rodada precisamos apenas vencer a rodada, por qualquer placar, para vencer. O XV tinha que tirar os 6 pontos e o empate já bastava para eles. No final, um incrível e raro placar de 9 x 6 para nós, com muitos empates, colocavam o Rio Branco na primeira divisão do paulista de equipes (50 x 47). O pessoal do XV ficou vários minutos conferindo a contagem de pontos, não acreditando que aquela grandiosa equipe, que havia vencido todos os seus jogos até então, perdia para o Rio Branco e perdia a chance do acesso em sua casa. Na outra semi-final, outra zebra: O Corinthians que também não era favorito, também jogando em casa, vencia o Santos e duas equipes não cotadas para a final, faziam o jogo decisivo. O Corinthians foi o campeão, numa sala adaptada, impossível de se respirar, sem qualquer ventilação e nós os vice-campeões. Viajamos com a van do Rio Branco com muita alegria e orgulho e trouxemos para a sala de troféus do clube o nosso maior caneco de clubes, o de vice-campeão paulista da série A2. Em 2002, embora não sofréssemos nenhuma goleada vexatória, perdemos todas as partidas na 1a divisão e quase conseguimos nos manter, não fosse a dura derrota por apenas 3 pontos (47 x 50) para o S.C. Corinthians, em Americana e acabamos sendo rebaixados e voltamos à A2 em 2003. E com esse rebaixamento, para mim, era encerrado o 1o ciclo de nossa trajetória. Destaques nesse período: Gilberto, Fernando, Tadeu, Vinicius, Ariel, André, Cassano, Moisés Salvatti, Fernando Urbano, Ismael, Celso Silva e Cristiano.
Escrito por gilberto às 20h39
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13 anos
Amanhã, dia 12 de outubro, o futebol de mesa organizado de Americana, hoje batizado de Americana Futmesa, completa 13 anos de atividades ininterruptas. O marco do início dessa trajetória é a comemoração do Dia das Crianças ocorrida na sede náutica do Rio Branco E.C. em 1996, quando oficialmente foi aberto o departamento de futebol de mesa do Rio Branco. Nessa data, eu e meu irmão fazíamos demonstração da regra paulista em mesas adquiridas pelo clube. Iniciava-se, ali, uma história do botão americanense, onde toda 4a e todo sábado, na sede social do clube, na Fernando Camargo, estávamos para realizar as aulas da escolinha e os torneios internos. No mesmo mês de outubro, nos dias 30 e 31, José Tadeu Amâncio, que praticava o futmesa no SESI, organizava a 1a copa Americana de Futebol de Mesa. Ali nos conhecemos e inicamos uma boa amizade e nós três pudemos alavancar todo um vitorioso trabalho. No ano de 1997 realizavamos alguns torneios de demonstração, um torneio regional e a 2a copa Americana, e desse trabalho de divulgação vieram Ariel Capozzi - que veio a se tornar o nosso capitão de honra, nosso técnico por muitas temporadas, seu filho André, seu Vicente Cassano, e a região já passava a olhar nosso trabalho com interesse, donde vieram Moisés Salvatti (Jundiaí), e de Campinas os irmãos Fernando e Flávio Urbano e Marco Botelho. Em Americana já tínhamos José Pinhel e José Luiz (vindos do SESI) e o filho do Tadeu, com 11 anos e que veio a se tornar um verdadeiro craque Vinícius Bola Amâncio. E assim, em 1998, com esse grupo, o Rio Branco disputava o seu primeiro campeonato paulista por equipes, organizado pela Federação Paulista de Futebol de Mesa. Nesta trajetória quero agradecer a todos os botonistas e autoridades esportivas da cidade e da Federação, principalmente aos botonistas, ao Rio Branco e à prefeitura, que muito nos ajudou na divulgação desse maravilhoso esporte. E a história do futmesa do Rio Branco pode ser contada, ao meu ver, em ciclos. Ao longo dessa semana, vamos contar essa história.
Escrito por gilberto às 14h20
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